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Sobradão do Porto
Região: Centro de Ubatuba

No século 19 o porto de Ubatuba foi fundamental para o escoamento das riquezas produzidas no planalto: do Vale do Paraíba, das vilas do norte de São Paulo e do sul das Minas Gerais.
Descer a Serra do Mar, então um obstáculo quase intransponível para transportar esses produtos, só foi possível com as tropas de mulas. A sinuosa e íngreme trilha indígena viu-se então tomada por um tráfego intenso dessas tropas, que desciam a serra com seus enormes jacás repletos de café, algodão, fumo e da cana-de-açúcar para a produção de aguardente. Em conseqüência disso, a Vila de Ubatuba transformou-se no mais importante corredor de exportação da província. O porto tornou-se sua maior fonte de riqueza. Nessa época, um rico comerciante, fazendeiro e armador, o português Manoel Balthasar da Cunha Fortes, construiu, para sua residência, um imponente sobrado nas proximidades do porto, nas cercanias da foz do rio Grande. Suas paredes de alvenaria européia (tijolo e pedra) alternada com a técnica brasileira da taipa de pilão lembra uma versão litorânea da arquitetura urbana dos países europeus.
Foi o primeiro prédio da Vila a ter um terceiro pavimento. O térreo servia de armazém e os superiores de moradia para a família.
Manoel Balthasar da Cunha Fortes faleceu por volta de 1874 e deixou o Sobradão para uma de suas 6 filhas, Dona Benedita Fortes Costa, que manteve a majestade do prédio até mesmo durante o período de decadência econômica de Ubatuba.
Com o falecimento de Dona Benedita Fortes Costa, seu neto e herdeiro, Oscar Batista da Costa, para manter o Casarão do Porto, foi obrigado a alugá-lo. Em 1926, no prédio histórico instalou-se o hotel Budapest.
Posteriormente, em 1934, Oscar vendeu-o à Cia. Taubaté Industrial - CTI, de Félix Guisard. A partir de então, o Sobradão do Porto, de residência tornou-se casa de veraneio. O prédio foi ampliado e varias casas construídas em volta, para servir de colônia de férias aos funcionários da CTI.
[mercado_da_rampa_sobradao] Em 1959, o Sobradão do Porto, foi tombado pela Secretaria do Patrimônio Histórico, Arqueológico e Arquitetônico Nacional - SPHAAN. Mais tarde o valor Histórico e Arquitetônico do Sobradão do Porto, e de outros edifícios como os da antiga Câmara Municipal, e as Ruínas da sede Fazenda Bom Retiro, no Bairro da Lagoinha, seriam reconhecidos com o tombamento pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arquitetônico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo - CONDPHAAT. Em 1981, o Sobradão foi desapropriado pela Prefeitura Municipal e, em 1987, tornou-se a sede administrativa da então recém-criada Fundação de Arte e Cultura de Ubatuba - FUNDART.
Na década de 80, foram realizados trabalhos de restauro da parte estrutural do prédio, com verbas do Ministério da Cultura sob a supervisão do SPHAAN, de São Paulo. No mesmo ano de 1987, quando da ocupação pela Fundart, o prédio teve suas obras reiniciadas. Sua desocupação desde meados de 1999, vinha determinando deterioração gradativa do prédio.
Na administração de 2001, foram reativados contatos com o IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, que autorizou sua ocupação imediata, prestando assessoria técnica visando serviços emergenciais de conservação. Paralelamente, a Fundart vinha concentrando esforços no sentido de captação de recursos para o restauro completo do prédio.
Em meados do ano de 2005 a administração da Fundart desocupou as dependências do andar superior do Sobradão, devido ao precário estado de sua estrutura, o que oferecia riscos para seus usuários.
Em 2007 novamente os contatos com o IPHAN foram intensificados, o que resultou na elaboração de um projeto de completo restauro. Em 2009 o projeto foi aprovado pelo IPHAN, iniciando-se a fase de captação de recursos para sua execução.

Conheça mais sobre o Sobradão do Porto

Endereço

Praça Anchieta, nº 38, no início da Rua Balthazar Fortes.

Créditos: Fundart - Fotos: Adriane Ciluzzo